Será que você gostou desse terno que eu comprei?
Será que você gostou do que eu fiz?
Será? ...
Às vezes eu acho que nada tem nexo ou, se tem, não consigo entender.
Vejo pessoas o tempo todo reclamando de suas vidas e do quão melhores poderiam ser. Trabalho, amigos, amores, o que quer que seja: ninguém nunca parece estar satisfeito com nada. E é exatamente aí que mora o perigo, eu acho. Uma vida de satisfações é uma vida feliz, por si só. Esteja satisfeito consigo. É o melhor que poderia fazer. Se superar é fundamental; constantemente aparecem obstáculos no nosso caminho. Saber superá-los é o que há. É quase como completar uma missão, se assim posso me expressar. Tá bom, vai... Talvez eu tenha sido um pouco rude. Não estamos num jogo de videogame ou algo do gênero pra completar missões, fases; matar o “chefão” no final do jogo.
Na vida real, o chefe não tem um HP, não seqüestra a princesa e, por conseguinte, não procura te destruir tendo este como único objetivo de vida. Os perigos ora se apresentam reais ora não. O grande objetivo é vencer. Mas vencer o quê? Quem? E por quê? A resposta poderia ser simples e é a que qualquer um responderia: vencer na vida. É... Sei lá.
Tenho saudades da época em que todas as pessoas não se preocupavam com esses pormenores e que porventura, vez ou outra, olhavam para o céu, em busca de estrelas. Tenho saudades da época em que se jogava conversar fora com a vizinha no portão de casa; das peladas de domingo e de sexta à noite - nessa o campo e o número de jogadores só se reduzia a mim e à Marcinha querida
Eu nunca aprendi a andar de bicicleta; tampouco a soltar pipa – pros mais salientes: aquela que tem uma linha, feita de papel e se perde no vento. Não sei se por não seguir esse modelo de criança do século passado eu virara o homem que não bebe cerveja e trata mal a esposa.
Eu quero ser livre. Livre dos moldes? Não! Fodam-se as minhas putas tristes, porque sem elas eu consigo viver. Falando nelas, por quê será que Ralskólnikov ainda não comeu aquela? Será que é por que o livro é chato demais e Dostoiévski era feliz no seu casamento? Ou será que é por que eu não sou suficientemente inteligente pra adentrar no universo da mente de um criminoso e criminalista? Sei lá...
Eu quero é ir pro Ceará. Manuel Bandeira que me desculpe mas Pasárgada tá muito fora de moda.
Lá eu posso ser feliz
As prostitutas são jovens e cobram mais barato
Eles vendem caranguejos na praia
E a rapadura com jabá é boa pra cacete
Vou-me embora pro Ceará
Vou –me embora pro Ceará.
Sabia que ela tá me esperando
Com seus longos cabelos e seu jeito engraçado de falar
Por isso é que os amores lá são verdadeiros
Vou-me embora pro Ceará
Vou-me embora pro Ceará
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