quarta-feira, 3 de março de 2010

Olá, meus queridos leitores - a essa altura, perdoem-me a indecência e o desrespeito, que eu mais chamaria de presunção, de esperar que alguém ainda visite esse espaço regularmente a espera do que quer que seja[?]: Um texto.
Sei que andei ausente, e, do que depender da minha criatividade afetada por eventos passados - que há bem pouco tempo mostraram-se não-tão-passados-assim -, as coisas continuarão como estavam até então. Desculpem.

Dessa forma, muitos[???] perguntar-se-iam "mas o que raios faz aqui? Nunca precisamos ler essa porcaria que, por força de certas prerrogativas do contrato social e pela benevolência que a nós, seres humanos, nos é inerente, por instinto, fazemo-lo". É, é... Eu sei bem disso.
O motivo pelo qual volto a lhes perturbar o juízo - com erros mesmo de ênclise, como vocês linguistas, filólogos e mestres em letras notaram - é um recado, redigido há, mais ou menos, dois meses num site de relacionamento.

Antes que o diabinho da obviedade traga à tona à brilhante mente de vocês aquilo que mais claro do que água está, intervenho com os argumentos:

1. Assim como esse texto que vos redijo, o dito recado consumiu tempo e paciência de seu redator, portanto, foi preciso procurar um espaço onde ele pudesse ser exposto e encontrar uma utilidade que não relegá-lo ao parco esforço de executar dois comandos mandando-o para as profundezas do desconhecido - que eu imagino que seja a infinitude do espaço de recuperação do disco rígido.

2. Vocês provavelmente já leram coisas piores por aí.

3. Prometo que só volto com textos novos no próximo dilúvio.


Certo. Com as devidas desculpas, mais uma vez, apresento-lhes a grande obra. Antes, algumas explicações: O texto consiste no relato do que foi a experiência do reveillon de um sujeito no qual vocês vão notar uma certa semelhança com o sujeito que aqui lhes perturba. Mas, despreocupem-se, porque trata-se de mera coincidência, afinal, eu sou muito mais bonito

E é claro, com algumas alterações, o texto não revela a identidade dos correspondentes. Porém, alguns dados que se assemelham à realidade não puderam deixar de serem[?] expostos, por questões simples de verossimilhança.

Vamos lá...


O Recado

(é, precisava de um título. Aceito sugestões. Sim, a pergunta foi alguma coisa do tipo: "Como foi seu reveillon? Cumpriu o ritual de passar na praia?" etc. Acho que isso já é suficiente para compreender a resposta.)

Sim, sim... Devo dizer que você tem um lado de clarividência, porque, de fato, houve um ritual, sim.
Não sei se você teve a curiosidade [?] de acompanhar pela tv, mas o que eu pude observar, presente, ao vivo, foi uma manifestação de caráter profano, com quatro figuras - dois homens, duas mulheres - encenando algo que, com a modéstia já de antemão eu peço desculpas por assim dizer, as culturas menos intelectualmente favorecidas do que se convenciona, grosso modo, "candomblé" designariam: (Um cruzamento de) "Zépeletrinsmo" com/e a misteriosa [?] dança da pomba-gira. É sério, foi esse verdadeiro circo de horrores, embalado pela sempre presente, em eventos similares, "Bateria do Salgueiro, a julgar pela perplexidade geral - desculpe a intromissão, mas eu mais definiria como surto de hipnotismo coletivo (não desse, usando da modéstia mais uma vez, que lhe escreve, visto a riqueza de detalhes com que é-se o fato explicitado). Enfim, do freak show que se sucedeu, isso foi, definitivamente, o que mais me chamou a atenção. É claro que um pouco mais poderia ser dito, pormenorizado, tal como a risada maliciosamente diabólica de um dos dançarinos [? {por falta de definição que assim melhor se encaixe}], a qual minha memória jamais, por forças desconhecidas da natureza, me fará esquecer - talvez por lembrar-me de detalhes um tanto escusos e obscurecidos da minha tenra infância. Mas não julgo que isso seja necessário, em sinal do respeito que tenho para com "aquele lê" (ou seja, vossa senhoria - pelo menos assim espero, já que essa narrativa me consumiu um certo tempo e seria um sacrilégio não lê-la. Mas tudo em nome da "moral e dos bons custumes" [pelo menos assim você há-de julgar]).
No mais, não há mais o que ser dito de interessante. Passei boa parte do tempo na fila do Bob's - o qual revelou ser nessa ocasião um seguidor de um dos princípios capitalistas universais: O do Monopólio, que sempre fere o bolso dos mais pobres e mais ocasionalmente famintos.
Deixa eu ver o que mais... Ah, ainda tive, nesse meio tempo, a oportunidade assistir ao nascer-do-sol na praia do Arpoador. Pelo menos, essa foi a intenção inicial, já que se revelou posteriormente, e para a nossa frustração, que outras pessoas (algumas muitas) também pensaram fazê-lo, concomitantemente com um apalhamento sonoro, que em plena manhã se fazia a perturbar a paz daqueles que não gostam de uma algazarra. Depois de tudo isso, só me restava ir para casa, e tentar digerir todo o ocorrido, com uma bela tarde de sono.

... É... E a senhora, que mal lhe pergunte, o que fez nessa tão festiva data?



Antecipo-lhes que nunca houve uma resposta a isso mais especifíca, como o sujeito me contou. O que ele teve de volta foi só o laconismo de quem não sabe valorizar um bom trabalho.


Shimbalaiê para vocês, meus caros. Até a próxima.

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